O que o ambiente diz ao corpo antes da mente perceber

Adoecimento mental pode começar de fora para dentro, no ambiente que se frequenta e se acostuma com o caos. Como perceber o perigo do ambiente antes que seja tarde demais? Descubra!

ARTIGOS JORNAL GAZETA

Aline Maliuk

1/19/20262 min read

Nem sempre o desconforto emocional começa em um pensamento. Muitas vezes ele se instala antes, no corpo, como uma sensação difusa de incômodo, tensão ou cansaço que não sabemos explicar. E, na maioria das vezes, isso tem relação direta com os ambientes que frequentamos diariamente.

Luz excessiva, ruídos constantes, falta de pausas, espaços sem respiro e estímulos mal escolhidos vão se acumulando no sistema nervoso como pequenas sobrecargas. O corpo percebe, reage e tenta se adaptar. A mente só entende depois — quando o sintoma já apareceu.

Afinal as primeiras reações de disfunções do que um dia será um sintoma e uma doença ocorrem a nível celular. Ou seja, nossas células sentem e absorvem todas as sobrecargas físicas, mentais e emocionais pelas quais atravessamos e guardam como informações de desequilíbrios, excessos e desconfortos que podem vir de abusos, frustrações contínuas, maus tratos ou mesmo privações de sono e de relaxamento adequado, por exemplo.

Costumamos subestimar o impacto desses estímulos porque eles não são visíveis. No entanto, o organismo está o tempo todo interpretando informações sensoriais para decidir se está em segurança ou em alerta. Quando esse estado de alerta se prolonga, surgem sinais como irritabilidade, dificuldade de concentração, fadiga mental e alterações no sono.

O ambiente não é neutro. Nunca será! Ele comunica, influencia e molda comportamentos. Quando passamos a olhar para os espaços com mais consciência — seja em casa, seja no trabalho — percebemos que cuidar da saúde mental também passa por reorganizar o entorno, respeitar limites e reduzir excessos.

Talvez o cuidado emocional comece em mudar o foco - ao invés de tentar mudar quem somos e testar frequentemente a nossa capacidade de adaptação ou nossos limites para observar onde estamos e como estamos sendo afetados por isso. E a partir dessa sintonia fina fazer escolhas não só de quem ou de onde vamos estar ou se associar mas de como vamos absorver as coisas alheias e como fatores externos vão nos influenciar. Não é fácil mas o treino fortalece esta capacidade de ser e estar.