O Peso Invisível de Dezembro - Aromas como Ferramenta
Por que o mês de dezembro nos sobrecarrega — e como o olfato nos ajuda a respirar por dentro e gerenciar a carga emocional?
TERAPIAS OLFATIVAS E PSICOAROMATERAPIA
Aline Maliuk
12/15/20253 min read


Todos os anos, quando dezembro chega, algo silencioso acontece dentro de nós. É como se o corpo carregasse um cansaço que não cabe em palavras. É o acúmulo dos meses, das pressões, das expectativas — mas também de algo ainda mais profundo: o descompasso entre o nosso ritmo interno e o ritmo que a sociedade impõe nesta época do ano.
Quando a natureza pede pausa… e o humano acelera
Na natureza, nada termina sem transição. O ciclo completo de um ano passa pelas quatro estações, cada uma cumprindo sua função: expansão, maturação, colheita, recolhimento. O tempo natural é circular, orgânico, contínuo.
Mas nós, humanos seres urbanos, criamos um marco artificial: 31 de dezembro, 23h59.
Um corte brusco no tempo, como se a vida pudesse ser reorganizada num único sopro, e como se o dia seguinte — 1º de janeiro — fosse realmente um caderno novo com folhas em branco, simples assim.
Esse simbolismo pode ser inspirador, até necessário para um respiro de renovo humano, mas pode também se transformar em peso emocional, especialmente quando o corpo não está pronto para recomeçar com a mesma velocidade que o calendário exige.
No Brasil, vivemos algo ainda mais paradoxal: o encerramento do ano acontece justamente no auge do calor.
E aqui na região sul o impacto é ainda maior. Por que?
Corpos acostumados com temperaturas amenas enfrentam ondas de calor que drenam energia, reduzem nossa tolerância, alteram o humor e ampliam a sensação de exaustão física. O calor não é só “clima”: ele muda o funcionamento interno. E dezembro, por aqui, vem carregado disso.
É natural que a mente sinta um peso que em outras regiões pode ser percebido de maneira diferente, normal e comum.
Produtividade, falsa urgência e burnout de fim de ano
Dezembro ativa uma lógica cruel: a de que é preciso “fechar tudo”, “resolver tudo”, “entregar tudo”, como se a vida inteira precisasse caber em quatro semanas.
Essa falsa urgência cria:
– ansiedade
– autocobrança
– sensação de atraso
– medo de não dar conta
– exaustão mental acumulada
Quando o corpo já está pedindo pausa, o mundo pede aceleração.
E é nesse conflito que nasce grande parte da sobrecarga emocional de dezembro.
Enquanto a mente se perde na urgência, o corpo pede presença.
E é aqui que entra algo que os outros sentidos não conseguem fazer: o olfato é o único capaz de trazer o sistema nervoso de volta para o eixo em segundos.
Aromas certos, escolhidos como a orientação terapêutica direcionada são capazes de:
_ desarmar tensões acumuladas,
– reduz o estado de alerta exagerado,
– regular o ritmo respiratório,
– estabilizar emoções,
– devolver ao corpo a sensação de “agora”.
Quando tudo parece rápido demais, o aroma devolve o tempo interno ao seu ritmo original.
Essa é a base da minha atuação: usar a aromaterapia e a psicoaromaterapia como ferramentas para reeducar o corpo e a mente e regular as emoções ajudando pessoas a saírem do ciclo de urgência e reconectar-se ao seu ritmo natural sem sofrer por não estar atendendo as expectativa alheias. A palavra de ordem é FLUIDEZ e respeito.
A verdade é simples, mas profunda
Não é preguiça, não é falta de foco, não é drama.
É natureza. É corpo. É ciclo.
Dezembro pesa porque estamos tentando finalizar um ano inteiro dentro de um mês esgotado — enquanto a natureza, lá fora, segue lembrando que todo ciclo termina devagar, como o pôr do sol no verão.
Se existe um convite real para este momento, ele é este:
respirar, respeitar seu tempo, e permitir que o olfato nos lembre do essencial.
A vida não muda porque o calendário virou, mas porque nós mudamos a forma de compreender seu tempo e ciclos e como interagimos com tudo isso no ambiente e nos lugares.
Tempo de refletir, renovar-se, permitir-se e libertar do que te aprisiona para que você não repita em 2026 o mesmo ciclo e caminho de 2025. Um abraço perfumado!
